O Muro de Cristal pt – 10

“Ela deve ocorrer de forma tão espalhada e distorcida que raramente – se nunca – foi compreendida no seu todo por qualquer peixe, para formar uma imagem coerente”, comentou Arco-Íris.

“Sim, provavelmente você está certa”, concordou ele. “Subitamente me sinto desejoso de informações, mas de informações de tipo especial – principalmente sobre o tipo de vida lá do topo do aquário – que me parece completamente impossível de ser adquirida para um habitante das águas intermediárias e profundas como eu”.

“Mas mesmo que a informação de segunda-mão, que acontece de vir até nós a partir de outras fontes seja distorcida em alguns aspectos, eu poderia – se apenas soubesse o que é que estou procurando -, acumular informações suficientes que me habilitassem a obter uma visão geral do aquário e assim eu seria capaz de expandir a minha visão para além dos seus limites”. Continuar lendo

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O Muro de Cristal pt – 9

“Você ainda está aí?”, perguntou Arco-Íris. “O que há de novo?” “Bem, cá estou eu mais ou menos resignado a uma provavelmente longa e intensa…

talvez nobre… luta contra os níveis mais profundos do meu cérebro primitivo”, respondeu Barbatanas Vermelhas.

“Por que?”  “Por que o quê?” respondeu Barbatanas Vermelhas. “Para que lutar ou por que lutar contra um cérebro primitivo?” “Não… por que nobre? “, disse Arco-Íris.

“Desde o meu primeiro vislumbre da dimensão mais elevada”, explicou Barbatanas Vermelhas, “fui capaz de deduzir a existência de uma série de dimensões cada vez mais altas, conduzindo à Dimensão Maior, cuja natureza exata não consigo precisar, mas, de acordo com os meus cálculos, mesmo essa Dimensão Última deveria nos estar visível neste preciso momento, se soubéssemos como olhar”.

“E assim eu espero obter uma visão permanente das dimensões mais elevadas”. Continuar lendo

O Muro de Cristal pt – 8

“Eu posso concordar com isto”, disse Nariz de Garrafa.

“E que este nosso mundo parece estar rodeado por um aquário vastamente maior, do qual o nosso é apenas uma pequena parte”, continuou Barbatanas Vermelhas.

“Penso que você está absolutamente correto”, concordou Nariz de Garrafa, meneando pensativamente a sua cabeça o melhor que podia já que sendo um peixe ele não possuía um pescoço.

“…E que o propósito da existência do nosso aquário… assim como de nós todos… é provavelmente puramente decorativo… O que está acontecendo com você?”, perguntou Barbatanas Vermelhas, quando viu que o outro peixe se afastava dele, chocado. Continuar lendo

O Muro de Cristal pt – 7

“Você viu?”, perguntou Barbatanas Vermelhas sofregamente. “Você precisa me contar tudo!” “Não posso”, respondeu Nariz de Garrafa.

“Mas por que não?” exigiu Barbatanas Vermelhas.

“Porque eu não me lembro dos detalhes, este é o porquê. Eu desmaiei.” “Ah! Tem de ser a mesma coisa que eu vi”, disse Barbatanas Vermelhas animado, “por  que eu também desmaiei”.

“Nós dois desmaiamos”, disse Nariz de Garrafa. “Então nós dois vimos a mesma coisa… Raciocínio estranho, Barbatanas Vermelhas”.

“Está bem! Está bem! Concordo com você que esta não é a lógica mais impecável do mundo”, disse Barbatanas Vermelhas, “mas existem boas chances de que nós dois vimos a mesma coisa. Portanto não foi um sonho ou uma alucinação. E isto quer dizer que existe algo maior do que o nosso próprio mundo. Continuar lendo

O Muro de Cristal pt – 6

“Isto ensinaria aqueles bundas-moles”, disse ele e imediatamente notou que estava falando consigo mesmo, novamente, então cerrou firmemente a sua boca e ficou ali num silêncio teimoso.

Mas o sol continuou ali a brilhar com a sua luz laranja, e de certa forma, ele ficou contente. Na realidade ele não estava pronto para algo assim tão drástico, mas de outro lado podia perceber que o choque da sua nova percepção estava se diluindo rapidamente.

Talvez ele estivesse precisando de um novo choque para faze-lo seguir adiante ou então – e logo -, ele poderia vir a esquecer de tudo o que ocorrera e então talvez viesse a mergulhar de volta ao seu estado de esquecimento anterior e voltar a ser como todos os outros peixes.

Ele enviou os tentáculos do seu pensamento para a frente, procurando gerar uma imagem que abraçasse todo o aquário. Continuar lendo

O Muro de Cristal pt – 5

Ele tinha de saber o que é que tudo aquilo significava. Será que os seus sentidos estavam lhe pregando peças? Tivera ele realmente visto aquilo que pensava ter visto? Com nada melhor em mente, ele continuou a sua observação imparcial das atividades no aquário, que agora lhe pareciam quase que coreografadas e orquestradas.

O seu olhar vagou ao redor dos confins do seu mundo e acabou recaindo naquele fantástico castelo cujas torres se erguiam para o alto, em direção à luz brilhante que penetrava as distantes camadas superficiais de uma água cristalina a não se saber quantas centenas, ou talvez milhares de milímetros sobre a sua cabeça. Ele se flagrou observando os outros habitantes das camadas intermediárias do aquário – os turbarõezinhos, os barrigas-vermelhas e os lebistes – com um tipo de indiferença transcendente, à medida que eles nadavam preguiçosamente ao longo de caminhos que ele sempre imaginara que fossem devidos ao acaso mas que ele agora percebia que eram padrões totalmente fixos, congelados. Continuar lendo

Do Coração do Magista

No caminho do magista, desde o neófito e do buscador sério até os altos iniciados certas constantes são notáveis. À medida que se estuda e se aprofunda nos mistérios do mundo, se ampliam horizontes e a sabedoria cresce em nossos corações, é impossível deixar de perceber as posturas das pessoas à nossa volta.

Desde os inúmeros e, espero estar errado, número crescente de esquisotéricos e pseudo-ocultistas/intelectuais de Orkut e MSN, há também a proliferação de uma subespécie dentro da magia que infelizmente infesta nossos círculos e decai o nosso santo e suado trabalho esotérico: os magos de fim-de-semana e os falsos-irmãos.

Um é tão menos importante quanto o outro, e que nós, buscadores sérios temos que aprender a lidar, e combater com todas as nossas forças. Desde tempos imemoriais o mundo ocultista se vê infestado de criaturas desprovidas de senso crítico e alto apresso e apego pelo materialismo, poder e o que for de mais baixo na escala de coisas úteis e/ou necessárias.

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