A Cruz – Parte 3

Nas tradições judaicas e cristãs, o símbolo crucífero pertence aos ritos primitivos de iniciação. A cruz cristã é anunciada por figuras do Antigo Testamento, como os montantes e barrotes das casas dos judeus, marcados com o sangtue do cordeiro sob um signo cruciforme; cordeiro assado sobre duas achas apresentadas em forma de cruz.

A cruz recapitula a criação, tem um sentido cósmico. é por isso que Ireneu pode escrever, falando do Cristo, e da sua crucificação: Ele veio sob uma forma visível para junto do que lhe pertence, e ele se fez carne e foi pregado na cruz de modo a resumir em si o Universo (Adverssu haereses, 5, 18, 3).

A cruz se torna, assim, o pólo do mundo, como afirma Cirilo de Jerusalém: Deus abriu as suas mãos sobre a cruz para abraçar os limites do Ecúmeno, e por isso o monte Gólgota é o pólo do mundo (Catechesis, 13, 28). Gregório de Nissa falará da cruz enquanto sinal cósmico (Oratio de resurrectione). Lactâncio escreve: Deus, no seu sofrimento, abriu os braços e abraçou o círculo da terra (Divinae Institutiones, 4, 26, 36). Os autores da Idade Média retomaram o tema da cruz cósmica, que Agostinho valoriza em De Genesi ad Litteram, 8, 4-5. Continuar lendo

Anúncios

A Cruz – Parte 2

A Cruz – Parte 1

Nos desenhos de cruzes gregas com dois braços transversais veem-se as iniciais gregas do nome de Jesus Cristo e a palavra NIKE, que significa vitória. Ao pé de uma dessas cruzes se erguem um falcão de asas abaixadas e uma águia de asas abertas; ao pé da outra cruz, dois pavões de caudas oceladas; uma dessas cruzes é trançada de fitas, significando a união das duas naturezas, humana e divina, no Verbo encarnado; e outra cruz é feita de fitas entrelaçadas, com a mesma significação. Continuar lendo

A Cruz – Parte 1

     A cruz é um dos símbolos cuja presença é atestada desde a mais alta Antiguidade: no Egito, na China, em Cnossos, Creta, onde se encontrou uma cruz de mármore do séc XV a.C. A cruz é o terceiro dos quatro símbolos fundamentais, justamente com o centro, o círculo e o quadrado. ela estabelece uma relação entre os três outros: pela interseção de suas linhas retas, que coincide com o centro, ela abre o centro para o exterior; inscreve-se no círculo, que divide em quatro segmentos; engendra o quadrado e o triângulo, quando suas extremidades são ligadas por quatro linhas retas. A simbologia mais complexa deriva dessas singelas observações: foram elas que deram origem à linguagem mais rica e mais universal. Como o quadrado, a cruz simboliza a terra: mas exprime dela aspectos intermediários, dinâmicos e sutis. A simbólica do quatro está ligada, em grande parte, à da cruz, principalmente ao fato de que ela designa um certo jogo de relações no interior do quatro e do quadrado. A cruz é o mais totalizante dos símbolos.

Continuar lendo

Suástica

A suástica é um dos símbolos mais difundidos e antigos. É encontrado do Extremo Oriente à América Central, passando pela Mongólia, pela ìndia e pelo norte da Europa. Foi conhecido dos Celtas, dos Etruscos, da Grécia antiga; o ornamento chamado grega deriva da suástica. Alguns quiseram remontá-lo aos atlantes, o que é uma maneira de indicar sua remota antiguidade.

Qualquer que seja sua complexidade simbólica, a suástica, por seu próprio grafismo, indica manifestamente um movimento de rotação em otrno do centro, imóvel, que pode ser o ego ou o pólo. É portanto símbolo de ação, de manifestação, de ciclo e de perpétua regeneração. Neste sentido, muitas vezes acompanhou a imagem do salvador da humanidade: o Cristo, das catacumbas ao ocidente medieval e ao nestorianismo das estepes: Os Cristos romanos são geralmente concebidos em tornod e uma espiral ou de uma suástica: essas figuras harmonizam a atitude, organizam os gestos, as dobras das roupas. Por aí se vê reintroduzido o melhor símbolo do turbilhão criacional em torno do qual estão dispostas as hierarquias criadas que dele emanam… ; o Buda, pois dele representa a Roda da Lei (Dharmachakra) girando em torno do seu centro imutável, centro qeu frequentemente representa Agni. Continuar lendo

O Hexagrama

Figura composta de dois triangulos equiláteros superpostos, um com a ponta para cima, outro com a ponta para baixo, formando assim a figura de uma estrela de seis pontas, com um hexágono regular em sua interceção, é um dos simbolos mais universais. É um símbolo mandálico chamado satkona Yantra ou sadkona Yantra encontrado nos antigos templos hindus do Sul indiano construído há milhares de anos. A tradição indiana vê no hexagrama a união de Xiva e Xácti, ou seja, o hierograma fundamental. Ele simboliza a Nara-Narayana, na meditação é o estado de perfeito equilíbrio entre o homem e Deus, e caso se mantenha alcança-se “moksha“, ou “Nirvana“. Continuar lendo

O Pentagrama

Saudações nobres companheiros, caros ir.: e demais viajantes da senda, é com grande alegria que inicio uma das novas categorias do Blog Hermetic Rose: Símbolos, neste artigo e nos subsequentes tratarei de símbolos, signos, sinais e seus significados, usos, costumes e origens, de forma a desmistificar muito do que se propaga como informação por aí. Para brindar o início deste que é um caminho tão vasto e muitas vezes mal interpretado, trago este que é um dos, se não o símbolo mais conhecido, difundido e mal interpretado de todos: o Pentagrama. Espero com estes pequenos ensaios elucidar um pouco mais sobre o verdadeiro valor dos velhos conhecimentos, trazendo à tona a chama do conhecimento, mantida acesa por sábios ao longo dos aeons. Bom, vamos ao que interessa:

O Pentagrama –

Segundo o dicionário: “Um pentagrama é uma figura de uma estrela composta por 5 retas e que possui 5 pontas. Também significa uma palavra de 5 letras. Em música são as 5 linhas paralelas que compõem a partitura”. Continuar lendo