Citação #2

Aqui está o trecho do Manhwa (termo que designa os Quadrinhos Coreanos) Chon Chu do qual tenho imenso respeito, acredito que vale a mensagem para todos, praticantes de alguma arte marcial ou não:

Chon ChuEu não tinha pais
Adotei o céu e a terra como meus pais
Eu não tinha casa
Adotei estar consciente como minha casa
Para mim não existia vida e morte
Adotei a respiração e aspiração como vida e morte
Eu não possuia meios
Adotei a comprensão como meu meio
Eu não possuía habilidades especiais
Adotei a moral como minha habilidade especial
Eu não possuia olhos
Adotei ser rápido como a luz dos meus olhos
Eu não possuia ouvidos
Adotei a sensibilidade como meu ouvido
Eu não possuia membros
Adotei a agilidade como meus membros
Eu não possuia estratégia
Adotei não desvanescer de pensamento como minha estratégia
Eu não possuia projetos
Adotei prever oportunidades como meus projetos
Eu não possuía principios
Adotei me adaptar a situações como meu princípio
Eu não tinha amigos
Adotei meu coração como meu amigo
Eu não possuia talentos
Adotei ser persistente como meu talento
Eu não possuia inimigos
Adotei a imprudência como minha inimiga
Pra mim não existia milagre
Adotei levar a vida corretamente como milagre
Eu não possuia corpo
Adotei a paciência como meu corpo
Eu não possuia armadura
Adotei a compaixão como minha armadura
Eu não era iluminado
Adotei a determinação como minha iluminação
Eu não possuia espada
Eu adotei a ausencia de ego como minha espada.

Conchu – vol 15 *trecho do Bushido

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Citação #1

Um pensamento que encontrei enquanto passava os olhos em um livro que ganhei recentemente, e que acredito caber em todas as práticas, seja ela cultural, filosófica ou marcial:

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O treinamento e a disciplina comuns a todos os Caminhos, marciais ou culturais, se compõem de três níveis de maestria: o físico, o psicológico e o espiritual. No plano físico, o essencial do treinamento é o domínio da forma (kata). O instrutor apresenta uma forma que serve de modelo; o aluno observa cuidadosamente e a repete tantas vezes quantas sejam necessárias para internalizá-la completamente. Não são ditas palavras e nem dadas explicações; o peso da aprendizagem recai sobre o aluno. Ao alcançar o domínio pleno da forma, o aluno é liberado de sua fidelidade a ela.
Essa liberação ocorre devido à mudanças psicológicas internas que vão acontecendo desde o início. A rotina de aprendizagem tediosa, repetitiva e monótona põe à prova o compromisso e a força de vontade do aluno, mas também reduz a obstinação, refreia a voluntariedade e elimina maus hábitos corporais e mentais. Nesse processo, começa a emergir a sua verdadeira força, o seu verdadeiro caráter e potencial. A maestria espiritual é inseparável da psicológica, mas só tem início depois de um longo período de treinamento intensivo.

UESHIBA, Kisshomaru. O Espirito do Aikido, São Paulo: Cultrix.

A Cruz – parte 4

Na Ásia, se o simbolismo da cruz não tem a mesma riqueza mística que no mundo cristão, não deixa de ter relevância. Não seria o caso de estudar algumas linhas um  simbolismo tão vasto quanto o da cruz, ao qual Guénon consagrou um volume inteiro. Tal simbolismo repousa essencialmente sobre o fato de que a cruz é constituida pelo cruzamento de eixos direcionais, que se podem considerar de diversas maneiras, seja neles mesmos, seja no seu cruzamento central, seja na irradiação centrífuga. O eixo vertical pode figurar ainda a atividade do Céu ou de Purusha; o eixo horizontal, a superfície das águas, sobre a qual ela se exerce, e que corresponde à Prakiti, a substância universal passiva. Os dois eixos são, ainda, os dos solstícios e equinócios, ou o encontro desses com o eixo dos pólos. Obteríamos, então, uma cruz em três dimensões, que determina as seis direções do espaço. Continuar lendo

Vlad Dracula – parte 2

No início de seu reino, provavelmente na primavera de 1459, Vlad cometeu seu primeiro ato importante de vingança. No domingo de Páscoa, após um dia de festa, deteve as familias dos boiardos, que ele mantinha como responsáveis pela morte de seu pai e de seu irmão. Os mais velhos foram simplesmente empalados ao lado dos muros do palácio. Forçou o restante a marchar da capital Trigoviste para a cidade de Poenari, onde, durante o verão, na mais humilhante das circunstâncias, foram forçados a construir seu novo posto avançado ao lado do Rio Arges. Esse castelo seria mais tarde identificado como o Castelo de Drácula. As ações de Drácula visando destruir o poder dos boiardos era parte de sua política de criar um Estado moderno e centralizado no que hoje é a Romênia. Entregou as propriedades e posições dos falecidos boiardos às pessoas que foram leais apenas a ele. Continuar lendo

Vlad Dracula – parte 1

Vlad III (1431? – 1476), o Empalador (Tepes) foia  figura histórica na qual Bram Stoker baseou o papel-título de seu romance Dracula. Stoker indicou seu conhecimento de Vlad pelas palavras do Dr. Abraham Van Helsing:

Ao que tudo indica, ele foi aquele príncipe voivoda chamado Drácula, que conquistou renome cobatendo os turcos próximo aos grandes rios da fronteira da Turquia. Se isso for verdade, então ele não é um homem comum; pois naquele tempo e durante séculos, falava-se dele como o mais inteligente e o mais astuto, assim como o mais bravo dos filhos das “terras além da floresta”. Aquele poderoso cérebro e aquela resoluçãod e ferro foram com ele para o túmulo e ainda estão alinhadas contra nós. Os Dráculas eram, diz Arminius, uma grande e nobre raça, embora vez por outra houvesse suspeitas que foram mantidos por seus conterrâneos, de terem negócios com O Maligno. Aprenderam seus segredod no Scholomance, entre as montanhas do Lago Hermanstadt, onde o diabo reivindica o décumo aluno como seu. Nos registros estão palavras como “Stregoiaca” – feiticeira; “ordol” e “rokog” – Satã e Inferno; e em um manuscrito Drácula é tido como um “wampyr”, que nós compreendemos bem.

Stoker aqui combinou possíveis referências ao Vlad histórico, uma tradição folclorica que via o vampirismo como enraizado nas ações do diabo, e o termo moderno vampiro. Continuar lendo

O Muro de Cristal pt – 10

“Ela deve ocorrer de forma tão espalhada e distorcida que raramente – se nunca – foi compreendida no seu todo por qualquer peixe, para formar uma imagem coerente”, comentou Arco-Íris.

“Sim, provavelmente você está certa”, concordou ele. “Subitamente me sinto desejoso de informações, mas de informações de tipo especial – principalmente sobre o tipo de vida lá do topo do aquário – que me parece completamente impossível de ser adquirida para um habitante das águas intermediárias e profundas como eu”.

“Mas mesmo que a informação de segunda-mão, que acontece de vir até nós a partir de outras fontes seja distorcida em alguns aspectos, eu poderia – se apenas soubesse o que é que estou procurando -, acumular informações suficientes que me habilitassem a obter uma visão geral do aquário e assim eu seria capaz de expandir a minha visão para além dos seus limites”. Continuar lendo