Vlad Dracula – parte 2

No início de seu reino, provavelmente na primavera de 1459, Vlad cometeu seu primeiro ato importante de vingança. No domingo de Páscoa, após um dia de festa, deteve as familias dos boiardos, que ele mantinha como responsáveis pela morte de seu pai e de seu irmão. Os mais velhos foram simplesmente empalados ao lado dos muros do palácio. Forçou o restante a marchar da capital Trigoviste para a cidade de Poenari, onde, durante o verão, na mais humilhante das circunstâncias, foram forçados a construir seu novo posto avançado ao lado do Rio Arges. Esse castelo seria mais tarde identificado como o Castelo de Drácula. As ações de Drácula visando destruir o poder dos boiardos era parte de sua política de criar um Estado moderno e centralizado no que hoje é a Romênia. Entregou as propriedades e posições dos falecidos boiardos às pessoas que foram leais apenas a ele.

A maneira brutal de Vlad aterrorizar seus inimigos e a maneira aparentemente arbitrária pela qual os punia lhe valeram o apelido de “Tepes” ou “o Empalador”, nome pelo qual é conhecido hoje. Não apenas usou a estaca contra os boiardos que estava tentando escravizar, mas também aterrorizou as Igrejas, tanto a ortodoxa como a católica, ambas fortes em seu território. Deu particular atenção aos centros monásticos da Igreja Católica, que ele via como pontos indesejáveis de influência estrangeira. Seu lema “a Romênia para os romenos” também levou a ações contra comerciantes estrangeiros, principalmente os alemães, que via como empecilhos ao desenvolvimento da indústria romena. Vlad, o Empalador, usou essa posição para implementar seu próprio código moral de honestidade e de moralidade sexual e várias histórias têm sobrevivido de ele ter matado pessoas que ofendiam seu censo de valores morais. Às vezes retaliava contra uma vila inteira por causa dos atos de uma só pessoa.

Vlad também usou táticas terroristas contra seus inimigos estrangeiros. Quando achou que comerciantes da Transilvânia tinham ignorado suas leis mercantis provocou ataques repentinos na fronteira em 1457 e novamente em 1459 e 1460, usando o sistema de empalação para fazer valer sua vontade. Durante a última incursão saqueou a Igreja de São Bartolomeu, queimou uma seção de Brasov e empalou inúmeras pessoas. O ataque foi posteriormente retratado em desenhos antiDrácula mostrando-o jantando entre corpos empalados.

Durante seu reinado, Vlad se transferiu para a Vila de Bucareste, construindo ali uma cidade fortificada com grandes muralhas exteriores. Vendo as montanhas como um baluarte protetor, Vlad construiu seu castelo no sopé dos Alpes transilvanianos. Mais tarde, sentindo-se mais seguro e desejoso de controlar as potencialmente ricas planícies do sul, reconstruiu Bucareste.

Vlad foi denunciado por seus contemporâneos, e os que vieram nas gerações seguintes publicaram numerosos atos de crueldade. Era conhecido pelo número de vítimas, 40 mil em números conservadores, durante o seu curto reinado de seis anos. Tornou-se assim responsável pelo maior número de mortes para um único governante até os tmepos modernos. Ivan, o Terrível, com quem tem sido frequentemente comparado, matou menos de 10 mil pessoas. Além do mais, Vlad o Empalador, reinou sobre menos de 500 mil pessoas. Além dos que morreram como resultado de sua política, conforme assinalaram McNally e Florescu, Vlad refinou os métodos de tortura e morte em um nível que chocou seus contemporâneos. Não somente empalava as pessoas de várias maneiras como também executava saus vitimas numa forma relacionada ao crime pelo qual estavam sendo punidos.

O início do fim de seu breve reinado pode ser rastreado até os ultimos meses de 1461. Por motivos que não estão totalmente claros, Vlad lançou uma campanha para expelir os turcos do vale do Rio Danúbio ao sul e a leste de Bucareste. A despeito de seus primeiros sucessos, quando os turcos finalmente armaram um contra-ataque, Vlad se viu sem aliados e foi forçado a se retirar em face dos números catastróficos. O ataque turco foi detido em duas ocasiões. Primeiro em 17 de junho, algumas horas após o pôr-do-sol. Drácula atacou o acampamentoturco numa tentativa de capturar o sultão. Infelizmente foi-lhe indicada a barraca errada e embora muitos turcos tenham sido mortos no ataque, o sultão coseguiu escapar. Quando o sultão chegou à capital, a cidade de Trigoviste, verificou que Vlad tinha empalado várias pessoas no lado de fora da cidade, fato que o impressionou e fez com que meditasse sobre o que seria feito em seguida. Decidiu voltar para Adrianople (agora Edirne) e deixou a fase seguinte da batalha a cargo do irmão mais novo de Vlad, Radu, agora favorito dos turcos para o trono da Wallachia. Radu, encabeçando o exército turco e tendo o apoio dos detratores romenos de Vlad, perseguiu-o até o castelo no Rio Arges.

No castelo, Drácula viu-se face a imensas desigualdades, seu exército tendo definhado. Optou pela sobrevivência escapando por um túnel secreto até os Montes Cárpatos, na Transilvânia. Sua mulher (ou amante), de acordo com a lenda, cometeu suicidio antes de os turcos conquistarem o castelo. Na Transilvânia apresentou-se ao novo rei da Hungria, Matthias Corvinus, que o prendeu. A essa altura as primeiras publicações sobre as crueldades de Vlad estavam circulando na Europa.

Vlad foi aprisionado na capital húngara de Visegrád, embora pareça que viveu lá em situação razoavelmente confortável até 1466. em 1475 os eventos tinham mudado a ponto de ele surgir como o melhor candidato para retomar o trono da Wallachia. No verão de 1475 foi novamente reconhecido como o príncipe da Wallachia. Logo depois movimentou-se com um exército para lutar na Sérvia e em seu retorno retomou a batalha contra os turcos com o rei da Moldávia. Nunca esteve seguro em seu trono. Muitos wallachianos se uniram com os turcos contra ele. Seu fim chegou nas mãos de um assassino em algum ponto no final de dezembro de 1476 ou início de 1477.

O local exato do túmulo de Vlad é desconhecido, mas um ponto provável é uma igreja no mosteiro de Snagov, numa área rural isolada do mosteiro que foi construído em uma ilha. Escavações se provaram infrutíferas. Um túmulo no altar, tido por muitos como o local de descanso de Vlad, foi encontrado vazio quando aberto em 1930. Um segundo túmulo perto da porta, entretanto, continha um corpo ricamente adornado e enterrado com uma coroa.

O conhecimento do Drácula histórico tem sido uma influência marcante nos filmes e na ficção de Drácula. Dois filmes mais importântes, Dracula (1974), estrelado por Jack Palance, e Bram Stoker’s Dracula, uma produção recente dirigida por Francis Ford Coppola, tentaram integrar a pesquisa histórica de Vlad, o Empalador no roteiro, usando-a como argumento para tornar os atos de Drácula mais compreensíveis.

MELTON, J. Gordon, Enciclopédia dos Vampiros – Edição compacta, 2008, Sçao Paulo, M. Books do Brasil editora Ltda.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s