O Muro de Cristal pt – 8

“Eu posso concordar com isto”, disse Nariz de Garrafa.

“E que este nosso mundo parece estar rodeado por um aquário vastamente maior, do qual o nosso é apenas uma pequena parte”, continuou Barbatanas Vermelhas.

“Penso que você está absolutamente correto”, concordou Nariz de Garrafa, meneando pensativamente a sua cabeça o melhor que podia já que sendo um peixe ele não possuía um pescoço.

“…E que o propósito da existência do nosso aquário… assim como de nós todos… é provavelmente puramente decorativo… O que está acontecendo com você?”, perguntou Barbatanas Vermelhas, quando viu que o outro peixe se afastava dele, chocado.

“Não sei”, respondeu Nariz de Garrafa. “Devo ter desmaiado por uns instantes. O que é mesmo que estávamos discutindo?” “Eu estava dizendo”, repetiu Barbatanas Vermelhas, “que eu cheguei à conclusão que o nosso aquário -e todos nós dentro dele faz parte da decoração interna de um mundo maior que fica Lá Fora”.

“Oh!, disse Nariz de Garrafa, agora refeito do seu primeiro choque, “isto é muito interessante”.

“Eu também acho”, respondeu Barbatanas Vermelhas sem perceber a ironia implícita.

“Como você acha que os outros peixes receberiam essa idéia?” “Eu não sei”, respondeu Nariz de Garrafa, “você está pensando em lhes contar?” “A possibilidade disto me ocorreu”, admitiu Barbatanas Vermelhas.

“Foi um prazer tê-lo conhecido”, disse rapidamente Nariz de Garrafa, se afastando o mais depressa que podia, desaparecendo das vistas.

“A dimensão mais elevada poderia nos ser visível agora mesmo, neste preciso momento…”, gritou ele na direção de Nariz de Garrafa, à medida que este se afastava rapidamente, “se apenas pudermos reajustar a nossa visão de tal modo que ela possa penetrar para além das barreiras que as nossas mentes foram condicionadas a aceitar cegamente como os limites do universo!” “Não é uma barreira física”, continuou ele num grito agudo que Nariz de Garrafa fez o melhor que pôde para ignorar, já que ainda estava ao alcance da voz de Barbatanas Vermelhas; “ela é uma barreira psicológica!” “Não consigo ouvir uma única palavra que você está falando,” murmurou Nariz de Garrafa à medida que fazia de tudo para aumentar a distância que separava a ele daquele maluco do Barbatanas Vermelhas. Pensou com os seus botões: “Não há nada de mais patético do que um peixe que está totalmente podre…”.

“Isto não é apenas uma mera situação de se ajustar pura e simplesmente o modo de visão; o nosso próprio cérebro foi completamente condicionado”, remoeu Barbatanas Vermelhas.

“Isto quer dizer que se eu desejo quebrar os condicionamentos psicológicos profundos, terei de cavar profundamente e diretamente dentro do meu subconsciente e destruir sozinho, uma por uma, as barreiras criadas por uma porção inacessível da minha própria mente que, até agora eu sequer suspeitava que existisse dentro de mim”.

“Não vai ser fácil descondicionar o cérebro dos hábitos costumeiros que foram reforçados ao longo da minha vida inteira”, concluiu ele, enquanto Arco-Íris nadou para perto dele.

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