Um Guia é Só Um Guia

Há muitas constantes no que tange estudos, dedicação e todos os caminhos do meio ocultista: os Guias, mestres e professores (não obstante todas as palavras são sinonimos entre si).

Segundo o DicionárioWeb. Temos:

Mestre
Professor de grande saber e nomeada.
P. ext. O que é perito ou versado em qualquer ciência ou arte.
Oficial graduado de qualquer profissão: mestre pedreiro, mestre carpinteiro.
Comandante de pequena embarcação.
O que tem o terceiro grau na maçonaria.
Fig. Tudo aquilo que serve de ensino ou de que se pode tirar alguma lição: o tempo é um grande mestre.
Chefe ou iniciador de um movimento cultural.

No meio ocultista o inicio da jornada é constante para muitos, se não a grande maioria, onde se busca muito, se tem pouco e não há guias, não há linhas a se seguir e normalmente se seguem de periodos de grande desordem, onde se procura quem lhe dê uma base, alguém com experiência nos mistérios, mesmo que ainda não se saiba bem que mistérios procurar, pois a bibliografia é grande quando se tem uma noção, mesmo que parca, do que procurar.
É nesse primeiro momento que se vê a dedicação e o ímpeto inicial do pretenso estudante: se essa animação é curiosidade  pura e simples ou um desejo do fundo da alma, algo que lhe chama para os caminhos secretos. Muitos ficam para trás, outros persistem.
Popular é a máxima de que quando o aprendiz está pronto o Mestre aparece, e mesmo tendo visto isso de perto, e ainda conhecendo quem condene ou critique a frase, realmente acontece, pois de muitos aspirantes à ordens iniciáticas, ou mesmo estudos paralelos ou solitários, pode-se pensar, querer, mas só encontram os caminhos quando estão preparados para isso. E logo já se vê a necessidade do preparo. Muitos que começam, talvez a grande maioria, querem saber tudo, acreditam que podem tudo, e ao longo da jornada percebem seu lugar perante o Universo. Aí entra a função do mestre.
Nas escolas de magia, ordens iniciáticas e grupos sérios o Mestre é aquele que já está no caminho à um determinado tempo, e que já domina o grau dos estudantes assim como de qualquer grau que instrua, indiferente da linha escolhida. É seu dever ser guia, amigo de seus companheiros/alunos, sendo sua principal função orientar os estudos, ensinar os conceitos e sanar qualquer dúvida que tenham durante sua jornada, pois todas as dúvidas devem ser sanadas antes de buscar graus superiores. Para manter a ordem e o bom andamento das relações pessoais e das práticas em ordens grandes, dentro de lojas ou capitulos, são grupos pequenos, e a orientação é guiada pelas necessidades do estudante, pois assim como o aluno se molda às ordens e guias do mestre, assim o mestre também se adequa as necessidades de seus irmãos/alunos, em algumas ordens tendo como prática o estudo do mapa astral dos alunos pelo mestre, para um melhor aproveitamento dos conteúdos.
Antes de se buscar uma ordem, quando vê-se no aluno, nos primeiros contatos com o grupo ou com o mestre, são guiados a buscar alguma bibliografia básica, práticas iniciais e estudos complementares, assim como abre-se espaço para sanarem-se as dúvidas, pois é muito comum os aprendizes, principalmente entre os mais jovens, seja na idade ou no contato com o ocultismo, resolver os próprios vícios, alinhar suas vontades, resolver seus desejos mais baixos, e aos poucos adequar-se à egrégora que se quer entrar, pois no mundo profano muitas das máximas necessárias, como o estudo de certos clássicos, nem se conhecem, nem os autores, nem suas palavras, e necessário se faz o estudo antes dos estudos, e a preparação antes da preparação.
O resultado deste esforço, dessa luta pela busca culmina na entrada do novo irmão ao grupo, selada e oficializada com a tão esperada Iniciação, mas o grande problema não são os mestres, seus ensinamentos ou muitas vezes suas posturas, e sim o que se faz com esse conhecimento.
Todos nós buscamos e seguimos guias, sejam nossos pais, nossos professores, tutores , ou até talvez autores, muitos deles mortos à muitos séculos e que ainda digerimos suas idéias, muitas vezes repaginadas de outros autores mais velhos que eles. Há também quem busque não apenas esses, mas também o que chamam de Guias Espirituais, atribuindo a eles um conhecimento adquirido, seja ele sincero, ou baseados numa necessidade mentirosa para buscar fama e credibilidade entre a massa, pois mesmo entre os ocultistas também se vê o comportamento de manada.
Apresentado o panorama geral, qual é o problema com esses guias?
O problema, se é que ele existe, não está nos guias ou mestres, e em verdade também não está em seus ensinamentos, e isso considerando apenas guias limpos e livres de qualquer tipo de corrupção, e sim com quem aproveita, e muitas vezes se aproveita, desse conhecimento propagado.
Buscar o conhecimento, livros, videos ou qualquer mídia, praticar o que se é ensinado e buscar ser alguém maior e melhor dentro da sua própria evolução não é um problema. O que ocorre é um velho hábitoda humanidade: cada um interpreta e usa o que sabe como bem quer e isso não deveria ser de todo o mal. O que é realmente ruim é ter acesso a um conhecimento completo, já discutido, visto, revisto e discutido larga e cansativamente durante séculos, e após uma passada de olhos já se considerar um ‘mestre’, um conhecedor dos conhecimentos dos elementos dos planetas das galáxias dos universos perdidos e distântes.
Status, poder e a eterna busca pela alimentação infinita do ego não é motivo o suficiente para deturpar conhecimentos tão antigos quanto profundos nada pode explicar a pretensa necessidade do auto-engano. Mentir é fácil demais, principalmente enganar à si mesmo, pois muitas vezes nem se percebe. Grande parte do conhecimento que se busca é sobre si mesmo, sobre o que é mentira e o que é verdade. A salvação do mundo começa na salvação de si mesmo, mas a natureza não dá saltos.
Outra é a forma como os ensinamentos passados são interpretados, quando recebidos. Muitas vezes o aprendiz se vê perdido, com tantas dúvidas quantas puder carregar, sem saber de que forma proceder e muitas das respostas são vagas, incitando o aprendiz a procurar por seus próprios méritos, por seus próprios esforços, afinal o mestre é só um guia, ele deve indicar o caminho, e não perseguir e seguir pelo aprendiz. Receber esse tipo de resposta é sempre um choque, e a função, tal como qualquer choque é alertar, acordar, mudar a postura. Aprende-se a duras penas a se erguer, levantar após uma dúvida, um erro, uma falha, pois quem erra é quem aprende, e errar é parte do processo, é parte do aprendizado, pois quem se levanta sabe como é duro cair, é lapidar a pedra bruta do templo. Os deuses não farão por você o que você não fizer por si mesmo. Apesar de respostas distantes, talvez frias, ao invés de desestimular, faz-se pensar no que ainda não foi tentado, buscar outras possibilidades no leque de opções que se tem ao longo do caminho, de que forma se usou o conhecimento que detinha na situação em que se encontra, o que ainda deve se lutar para aprender.
Quem constrói a ponte não conhece o lado de lá, ainda deve-se atravessá-la para ver o outro lado. Quando. Deve-se ser exigente com os outros, mas nunca esperar ou cobrar dos outros o que não se espera ou se cobra de si mesmo, deve-se saber mostrar antes de pedir em troca, deve-se ser um mestre para ensinar outros a sê-lo.
Há muitos caminhos para se seguir, muitos deles para as mesmas coisas, cada um escolhe o que lhe é mais agradável, o que lhe é mais próximo. Guias são necessários, transmissores de conhecimento, de sabedoria, de suporte para os erros e excessos da juventude, muitos caminhos para se chegar a um mesmo lugar. E no final o que permanece não é o conhecimento, e sim o que se faz com ele. É isso o que separa a inteligência da sabedoria.
Ainda assim o grande problema não está por aí. Vê-se em diversos grupos, as vezes não sendo iniciado pelo pretenso mestre, que é a deificação dos mestres pelos seus alunos, discipulos ou seguidores, fazer de sua palavra uma lei imutável quando este diz veementemente que elas não existem, é hipocrisia dar palavras à boca de seu mestre sem que ele as tenha dito, ou associar a ele suas próprias conquistas, ou apoiar-se nas suas palavras para dar vazão as seus prórios erros e vícios, quando o correto era sanar as dúvidas, resolver os problemas e aprender com as saus palavras. Muito se vê quando em uma discussão, um debate entre irmãos ouvem-se frases tais como: “mas fulano de tal disse que não é assim”, ou “fulano de tal não concorda com isso”, “sicrano disse aquilo outro”, assim ofusca-se os próprios méritos, passa-se a pensar pelas palavras do mestre, e nada se cria, apenas se alimenta o que o mestre já fez. Deve-se buscar o mundo por si mesmo, já mostram as características do altar pessoal, que deve ter a medida de mundo do próprio operador/magista, pois é com os próprios olhos que se vê o mundo, e não pelos olhos do mestre. Guias existem para que coisas novas possam ser criadas, Cristo foi um grande exemplo a ser seguido, mas não para ser adorado, os feitos do mestre, seja ele quem for, são mostras do qeu poe ser feito, provas da força da dedicação e do reto pensar. Aí que separam os neófitos dos mestres, aí que se vê inteligência em sabedoria, e que se veem os verdadeiros mestres, e são eles que devem se procurar, quem te faça pensar por si mesmo, que ensine a ser independente, e não só mais uma marionete, que faça do discipulo, mesmo que sincero, ser apenas mais um tijolo no muro do templo, sempre à margem, sem alcançar ou cumprir sua própria vontade. Deixe de cumprir a vontade de seu mestre, siga-o, mas tenha seu próprio caminho, pois é função do mestre auxiliar outros para serem iguais a ele. É disso qeu fala a verdadeira fraternidade, o verdadeiro companheirismo, os verdaderios guias.

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